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Serra Preta: 72 anos de emancipação política e um patrimônio histórico que resiste ao abandono
Publicado em 01/12/2025 08:21 • Atualizado 01/12/2025 08:24
Serra Preta
Arquivo do blog

 


A charmosa — e tantas vezes esquecida — Serra Preta completará 72 anos de emancipação política em 19 de dezembro. Localizada a apenas 150 km de Salvador, a cidade permanece desconhecida por grande parte dos baianos, apesar de sua importância histórica e cultural.

Oficialmente, o poder público celebra sua emancipação no dia 1º de dezembro, mas a data deveria levar em conta o dia 19 de dezembro de 1953, quando Serra Preta se desvinculou de Ipirá. Muito antes disso, em 1722, a localidade já havia sido elevada à categoria de vila, consolidando-se como um ponto estratégico entre o litoral e o sertão.

Hoje, porém, Serra Preta vive uma realidade distante de sua relevância histórica. A falta de políticas públicas — municipal e estadual — tem provocado êxodo constante de moradores para cidades como Feira de Santana e a própria capital. Mesmo sendo sede do município, a cidade perde em população, dinamismo econômico e oferta de serviços para seus próprios distritos, especialmente Bravo, a 12 km, e Ponto de Serra Preta, a apenas 3 km.

Um patrimônio à espera de preservação

Uma nascente que já foi controlada pelos povos originários antes da conquista portuguesa

Situada na Serra do Taquari, Serra Preta é uma cidade de raízes quilombolas. No passado, servia como entreposto de viajantes que transitavam entre o litoral e o sertão. Logo na entrada da cidade, ainda existe o histórico Tanque dos Milagres, ou Tanque Velho, uma nascente que já foi controlada pelos povos originários antes da conquista portuguesa no século XVII. Hoje, o local continua belo, mas está abandonado, degradado e poluído — símbolo claro da falta de cuidado com o patrimônio natural e histórico.

Não é à toa que cresce o apelo pelo tombamento da cidade, que poderia garantir a preservação de seu conjunto arquitetônico e ambiental, além de potencializar o turismo e estimular a economia local.

Fé, cultura e tradição sob ameaça

 

Morar próximo à igreja era sinônimo de prestígio. Arquivo do blog

 

Em tempos de glória, a festa de Nossa Senhora do Bom Conselho movimentava a região e atraía fiéis de diversas cidades. Morar próximo à igreja era sinônimo de prestígio — e o valor imobiliário acompanhava essa valorização. Hoje, porém, a realidade é outra: a decadência econômica fez com que até aluguéis se tornassem difíceis de fechar.

Ainda resiste a tradicional Capina do Monte, evento centenário que, ano após ano, perde público. Outras festas continuam movimentando o calendário cultural, como a Festa de São Pedro, a Festa do Vaqueiro, a Festa do Trabalhador Rural (há algum tempo o Sindicato Rural não realiza) e o já conhecido Enterro do Ano.

Bravo: o motor urbano e comercial do município

 

O distrito de Bravo se consolida como principal centro urbano e comercial de Serra Preta

 

Enquanto a sede perde protagonismo, o distrito de Bravo se consolida como principal centro urbano e comercial de Serra Preta. Seu contorno, localizado às margens da BA-052, faz do distrito um entreposto importante e conhecido por muitos viajantes e comerciantes da região. Além de Bravo, outros povoados contribuem para o dinamismo local, como Ponto de Serra PretaCabaceiraPé de SerraMorro do CurralDescanso e Lagoa da Caiçara.

Entre o passado e o futuro

Aos 72 anos de emancipação, Serra Preta carrega um passado rico, mas enfrenta um presente desafiador. O futuro depende de investimento, reconhecimento e preservação — não apenas de suas festas e tradições, mas de sua história, de sua identidade e de seus recursos naturais.

Serra Preta merece ser vista. Merece ser cuidada. E sobretudo, merece voltar a ser motivo de orgulho para o povo baiano.

Confira a lista dos prefeitos eleitos:
 
1º Rubens Simas
Período: 1955 à 1959
 
2º Manoel Falcão de Oliveira
Período: 1959 à 1962
 
3º Rubens Simas 
Período: 1963 à 1964
 
4º Ranulfo Nunes Macedo
Período: 1965 à 1966
 
5º Manoel Falcão de Oliveira
Período: 1967 à 1970
 
6º Clodoaldo Ferreira de Souza
Período: 1971 à 1972
 
7º Ranulfo Nunes Macedo
Período: 1973à 1976
 
8º Clodoaldo Ferreira de Souza
Período: 1977 à 1982
 
9º Moacyr Cerqueira de Almeida 
Período: 1983 à 1988
 
10º José Oliveira Leite
Período: 1989 à 1992
 
11º Moacyr Cerqueira de Almeida
Período: 1993 à 1996
 
12º Antonio Batista da Silva
Período: 1997 à 2000
 
13º Benedito Macedo Gonçalves 
Período: 2001 à 2004
 
14º Antonio Batista da Silva
Período: 2005 à 2008
 
15º Adeil Figueredo Pedreira
Período: 2009 à 2012 
 
16º Adeil Figueredo Pedreira
Período: 2013 à 2016
 
17º Rogério Serafim Vieira de Sousa
Período: 2017 à 2020
 
18° Franklin Leite 
Período: 2021 a 2024
 
19° Franklin Leite
Período: 2025...
 

 

15 de novembro de 2025

Serra Preta: a pequena cidade esquecida que desafia a história oficial

 
Serra Preta foi elevada a vila em 1722 e precisa ser preservada.
Imagem gerada por IA

A apenas 155 km de Salvador, Serra Preta permanece quase invisível aos olhos do poder público. Pequena, antiga e carregada de memórias, a cidade guarda uma curiosidade: pode ser, de fato, a menor cidade populacional do Brasil. Embora o título seja oficialmente de Serra da Saudade (MG), o historiador Mário Ângelo S. Barreto contesta os números do IBGE e defende uma recontagem casa por casa. Segundo ele, muitos moradores já deixaram a cidade, mas seguem registrados no censo.
 
Fundada como vila em 1722 e antiga parte do município de Cachoeira, Serra Preta está enraizada na história baiana. Antes da colonização portuguesa, o território era habitado pelo povo indígena Paiaiá, que vivia às margens de uma nascente — hoje o Tanque Velho. Com a chegada dos colonizadores, vieram o massacre, o domínio da terra e o sistema de exploração escravocrata que moldou a economia local.
 
Serra Preta é, portanto, uma cidade negra, cujas marcas históricas ainda estão presentes — embora muitas vezes ignoradas ou abandonadas. Seus casarões, ruínas e memórias clamam por preservação. Redescobrir Serra Preta é resgatar uma parte esquecida do Brasil: pequena no tamanho, gigante na história.
 
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